Brasil que Prepara

Preparar para o trabalho que existe

estudar tem que levar a emprego, não a um diploma sem uso

Propõe ampliar o ensino técnico no ensino médio com o setor produtivo, levar o ensino superior ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e adotar crédito estudantil contingente à renda.

No programa: [p. 36, 37]

O que o programa diz

Há jovem formado sem encontrar emprego e empresa com vaga aberta sem encontrar quem saiba fazer. Essa distância entre o que a escola ensina e o que o mercado precisa custa caro duas vezes: custa ao jovem os anos de estudo que não viram trabalho, e custa ao país o crescimento que ele deixa de ter por falta de gente qualificada. Há anos, setores organizados resistem a um ensino técnico voltado às necessidades reais do mercado, como se preparar o jovem para trabalhar fosse algo menor. Vamos ampliar a oferta de educação técnica para os alunos do ensino médio, para que o jovem saia da escola já com uma profissão na mão, e não apenas com um diploma. E vamos fazer essa formação técnica em parceria com o setor produtivo, com foco na inovação, de modo que quem forma o profissional converse diretamente com quem vai contratá-lo. Nessa parceria, o setor produtivo poderá custear bolsas de formação técnica, financiando a qualificação dos profissionais de que precisa. A escola também precisa preparar para a economia que vem chegando. Vamos tratar a formação como vetor da transformação tecnológica, adequando o que se ensina às profissões do presente e do futuro, e criar a Política Nacional de Formação de Talentos, para identificar e desenvolver as habilidades que o mercado de trabalho vai exigir. O Brasil não pode formar gente para o passado enquanto o mundo do trabalho corre para a frente. No ensino superior, vamos transferir a governança para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, unificando ciência e ensino superior sob o mesmo teto. A CAPES e o CNPq passarão a priorizar o impacto produtivo, a inovação e a transferência de tecnologia, para que a pesquisa feita na universidade chegue à indústria e vire produto, emprego e renda, em vez de ficar na estante. E os cursos de pós-graduação voltados ao mercado, o lato sensu, vão aproximar empresas e universidades: as instituições de ensino poderão receber recursos em troca da formação dos profissionais de que o país precisa, premiando quem forma para o emprego que existe. Vamos também aprimorar o financiamento estudantil. O modelo atual afasta o jovem de baixa renda, que desiste da faculdade com medo de terminar o curso afogado em dívida, antes mesmo do primeiro emprego. Em lugar dele, vamos adotar o Empréstimo Contingente à Renda: o estudante só começa a pagar quando estiver empregado e ganhando, o valor da parcela é proporcional ao que ele recebe e o prazo é bem mais longo. Estudar deixa de ser uma aposta arriscada e volta a ser o caminho seguro para subir na vida. [p. 36, 37]

Em linguagem simples

  • O programa afirma que há jovens formados sem emprego e empresas sem encontrar profissionais qualificados. Propõe ampliar a educação técnica no ensino médio, em parceria com o setor produtivo e com foco na inovação, e prevê que as empresas possam custear bolsas de formação técnica.
  • Prevê adequar o ensino às profissões do presente e do futuro e criar a Política Nacional de Formação de Talentos, para identificar e desenvolver as habilidades que o mercado de trabalho vai exigir.
  • No ensino superior, propõe transferir a governança para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, unificando ciência e ensino superior. A CAPES e o CNPq passariam a priorizar impacto produtivo, inovação e transferência de tecnologia para a indústria.
  • Na pós-graduação lato sensu, voltada ao mercado, prevê que as instituições de ensino possam receber recursos em troca da formação de profissionais de que o país precisa, aproximando empresas e universidades.
  • O texto afirma que o modelo atual de financiamento estudantil afasta o jovem de baixa renda e propõe substituí-lo pelo Empréstimo Contingente à Renda: o estudante só começa a pagar quando estiver empregado e com renda, a parcela é proporcional ao que ele ganha e o prazo é mais longo.

O que não está no programa

  • Não indica custo nem fonte de recursos para a ampliação do ensino técnico e para o Empréstimo Contingente à Renda.
  • Não apresenta metas de vagas no ensino técnico nem prazos para as medidas.
  • Não define as regras do Empréstimo Contingente à Renda, como o percentual da renda cobrado, a partir de que renda o pagamento começa e o prazo exato.
  • Não indica o instrumento legal para transferir a governança do ensino superior ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.
  • Não detalha de onde viriam os recursos para as instituições na pós-graduação lato sensu nem como funcionaria a Política Nacional de Formação de Talentos.